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São João de Braga  

Espaços urbanos, ruas, praças, jardins, parques, igrejas, monumentos, museus...

Devia ser maior o investimento nas festividades do São João?

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São João de Braga

Mensagempor Meireles88 » quinta nov 22, 2012 12:59 am

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O São João de Braga continua a ser o momento alto do calendário anual dos bracarenses. As festas revelam a identidade genuína da cidade, quer através das iniciativas das associações culturais e recreativas do município, que atingem por esta quadra o seu maior horizonte de activismo, quer pelas tradições e legado que conserva, quer pela elevação dos principais símbolos da cidade: como a bandeira e o hino.
Será sempre arriscado tentar datar a origem das festas, até porque este tipo de festividades se fundava no culto religioso. São João Batista é um dos santos mais importantes da Igreja, o único que é celebrado a partir da celebração do seu nascimento. Apenas Jesus Cristo e Nossa Senhora têm direito a essas prerrogativas.
O que podemos conjecturar é desde quando alcançaram dimensão municipal, e como é que se destacaram dos demais festejos que tinham este privilégio. Sabemos que existe uma igreja paroquial dedicada a São João, desde o século XII, e uma capela (da Ponte) desde 1616. Sabemos também, através das actas do Senado da Câmara, que ao longo do século XVI o São João já fazia parte das celebrações estatutárias da cidade, detendo até um estandarte oficial. Todavia, para além do São João, as festas do Corpus Christi, de Santa Isabel, de S. Tiago, de Nossa Senhora e do Anjo da Guarda também detinham um cariz municipal. Por este tempo, temos conhecimento da existência de algumas tradições. Uma delas é o Candeleiro, em que uma vela votiva era transportada pelas ruas da cidade. Associada a esta antiga usança estavam outras tradições como a dança das pélas (as padeiras da cidade, transportadas aos ombros, executavam uma coreografia); os espingardeiros, que deveriam disparar para o ar durante o percurso; e, ainda, uma dança de espadas, espécie de pauliteiros que deveriam secundar o Candeleiro. A corrida do porco preto era outra das grandes tradições sanjoaninas. Um porco era soltado do Picoto, e perseguido até às margens do rio Este, onde se encontrava, sobre a ponte, um grupo de moleiros que tentavam impedir a passagem do animal. Se o porco resolvesse atravessar o rio era pertença dos moleiros, se conseguisse atravessar a ponte ficava a pertencer aos cavaleiros. Outra das tradições associadas ao São João era a serpe, símbolo do pecado que se insinua aos humanos, e restituída às festas no Encontro de Gigantones e Cabeçudos.

Pelo relato de um monge francês, que passou o dia de São João em Braga no ano de 1699, sabemos ao pormenor como seria a procissão, antes da reforma litúrgica que ocorreu poucos anos após. Não faltavam danças e lutas durante o percurso, assemelhando-se mais a um curso carnavalesco do que a um cortejo religioso.
A procissão vai ser reformulada com manifestações de teatro sacro. A “Relação do Festivo Aplauso”, documento que descreve a do ano de 1754, fala-nos já de uma exibição similar ao carro dos pastores, onde figuravam seis carros relativos a algumas passagens da vida de São João Batista. Nesta descrição é referido que Braga era «sempre a primeira (cidade) nos cultos do mesmo Santo», o que atesta que estas festas teriam uma dimensão significativa.
A dança do Rei David e o Carro dos Pastores continuam a ser o momento de maior originalidade das festas. São acompanhados pelo Carro das Ervas, uma memória das procissões medievais que exigiam este tipo de carros de cheiro, vai abrindo o cortejo “despejando”, pelas ruas, as ervas para perfumar as ruas. A dança do Rei David, reformulada no século XIX, deriva provavelmente da Mourisca, uma dança associada à procissão do Corpo de Deus.
Outra das tradições dos festejos é os quadros bíblicos representados no rio Este, que têm origem no século XIX. De um lado da ponte está a representação do baptismo de Cristo, e do outro um gigantesco S. Cristóvão.
Na última década do século XIX, um conjunto de cidadãos decidiu engrandecer os festejos sanjoaninos e implementou uma série de inovações no programa. Para além do reconhecimento que as festas alcançaram nas fronteiras do Minho, a popularidade do São João de Braga chegou a Lisboa e ao Porto, onde eram colocados os cartazes das festas. O comboio era a grande aposta para atrair forasteiros. As festas da cidade foram, pelo menos até aos anos 50, o grande evento turístico da cidade, atraindo milhares de pessoas de todo o país.
Recentemente uma nova tradição veio dar mais brilho ao São João: o Encontro Internacional de Gigantones e Cabeçudos. A prova de que temos hoje que continuar a criar tradições.
De facto, as festas de São João têm tudo para ser o maior cartaz turístico e cultural da cidade. E se fosse criado um site? E se regressassem os foguetes, balões, festa de encerramento e cortejo do Traje? E se na noite de São João houvesse mini-palcos que criassem bailaricos espontâneos e animação? E se fosse valorizada a tradição de Braga nos cordofones, criando um festival nacional de cavaquinhos. E se se recuperasse a Corrida do Porco Preto?

@BragaMaior

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A procissão era o grande momento das festas sanjoaninas. Na descrição do préstito em honra de São João Batista de 1754 é referido que a «tão Augusta como Fidelíssima Cidade de Braga» é «sempre a primeira nos cultos do mesmo Santo».
Uma prova de que as festas bracarenses se afirmavam já no contexto nacional!

@BragaMaior

As Festas de São João de Braga, já aqui o dissemos, alcançaram desde o século XVI uma notoriedade pouco comum, num país em que a comunicação ainda se fazia ao ritmo das diligências e de dias assemanados. A Relação do Festivo Aplauso, datada de 1754, apenas vem confirmar as impressões deixadas pelo nosso cronista mais famoso: Inácio José Peixoto.
Nas suas Memórias ficamos a saber que o São João de Braga "não se limitava ao templo", mas tinha direito a vistosos festejos públicos, que "não convinhão ao sagrado assumpto" e que até levava muitas casas a empenharem-se "para sempre". Literalmente os bracarenses perdiam a cabeça com as festas ao Percursor.
A expressão mais feliz até hoje encontrada refere-se ao "Brasil da cidade", apelido encontrado pelo povo para caracterizar tão grandes manifestações de júbilo...
«Em todos os annos se festejava, com danças a S. João e ao Senhor Sacramentado da Sé com publicos e magnificos festejos, mas elles não erão so no templo com triduos, sermoens, apparatos e musicas, patenteavão-se com bailes, comédias e touros, em que se gastavão copiosas somas; muitas casas se empenhavão para sempre. Dous erão juises, hum fidalgo e outro conego. As ultimas destas grandes festas forão feitas por Antonio Pereira de Eça, fidalgo illustre casado na casa dos Biscainhos com D. Antonia Maria de Sousa Montenegro, sobrinha do deão D. Francisco Pereira da Silva [sobrelinha: e filha de Diogo de Sousa e D. Maria Montenegro]. O povo dezia que estas festas erão o Brazil da cidade, mas ellas não convinhão muito ao sagrado assumpto, contudo o povo por isto aviva a fé muitas veses. [À margem: nestes tempos erão as festas os objectos dos bracharenses no tocante às sciencias, não quanto aos costumes porque se respeitavão ambas as corporações].»

In: Memórias Particulares de Inácio José Peixoto


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Re: São João de Braga

Mensagempor Meireles88 » sexta jan 04, 2013 3:16 am

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Diário do Minho, 26 de Março de 1935

Braga Maior Escreveu:
Na sequência de notícias que davam como certa a definição da data das festas da cidade do Porto coincidindo com as "seculares e tradicionais" festas joaninas de Braga, a comissão organizadora dos festejos endereçou uma missiva à congénere portuense, tentando demover esta coincidência de datas, salvaguardando os interesses das duas cidades. Estávamos no ano de 1935 e muitos portuenses tinham o hábito de vir a Braga por altura do São João. Os do Porto disseram que "não" à tentativa conciliatória brácara.
Com a "invenção" das festas da cidade do Porto, cuja data se fez coincidir com o dia em que a Igreja festejava o São João, as festas de Braga foram perdendo a notoriedade que detinham. Inicialmente as festas portuenses nada tinham a ver com este santo, como podemos atestar nesta notícia, onde é transcrita a resposta do presidente da Câmara do Porto ao congénere de Braga. Segundo o autarca portuense a data da festa estava associada a uma festa tradicional do Porto intitulada "Palácio".
Trata-se de mais um episódio da macrocefalia portuense que, desde meados do século XVIII havia se sobreposto à histórica capital do Entre-Douro-e-Minho. No meio destas disputas Braga saiu quase sempre prejudicada. Quanto ao São João, como observamos acima, o Porto deu um beijo da serpente a Braga, garantindo que as suas festas nada tinham que ver com as nossas, desejanto até que as festas bracarenses "sejam cada vez mais brilhantes e prestigiosas". Certo é que as festas do Porto nascem apenas em 1935 e só mais tarde são associadas ao São João.
Hoje é este "São João" sem história ou tradição que as televisões querem filmar...


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Re: São João de Braga

Mensagempor Meireles88 » domingo jan 27, 2013 3:13 am

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@Alfarrábios de Braga e Seu Termo

Estou curioso sobre aquele selo no canto superior direito, alguém tem alguma ideia do que seja?
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Re: São João de Braga

Mensagempor Meireles88 » domingo jan 27, 2013 8:52 pm

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©Diário do Minho 26/Janeiro/2013

Diário do Minho Escreveu:O S. João de Braga terá que apostar cada vez mais na recuperação das tradições como forma de se afirmar pela sua singularidade na região e no país. A tónica foi deixada, anteontem à noite, por Vítor Sousa, presidente da Associação de Festas de São João, em mais uma edição das Tertúlias Rusgeiras, em S. Vicente, onde realçou a grande autonomia financeira das Festas em relação ao Município, que de há muitos anos a esta parte investe 40 mil euros. Para o futuro, falta, sobretudo, transmitir o espírito de São João aos mais novos.

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