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Entrevista a Ricardo Rio - Parte I  

Entrevistas dos utilizadores do fórum a personalidades bracarenses.

Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor DoctorDre » quinta dez 23, 2010 2:00 pm

Aqui está o resultado de parte da entrevista feita ao Dr. Ricardo Rio no seguimento da iniciativa "Perguntas a...". Sendo que a totalidade da entrevista é bastante extensa dividimo-la em duas partes.

Queremos aproveitar para agradecer publicamente ao Sr. Dr. Ricardo Rio pela sua inteira disponibilidade e prontidão para responder às questões colocadas pelos utilizadores do BA.

Fiquem com a entrevista e devorem-na que brevemente virá a outra parte e futuramente novas personalidades serão alvo das nossas questões!

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1.
BRACARAE AVGVSTE - O Dr. Rio leu a entrevista do Dr. Artur Silva (viewtopic.php?f=2&t=2428 )? Que comentário gostaria de tecer?

RICARDO RIO - Como leitor regular do Fórum, já tinha tido oportunidade de ler a entrevista do Dr. Artur Silva que, de uma forma geral, me parece bastante equilibrada.
Há três aspectos, porém, que me merecem especial realce.
O primeiro prende-se com a evidência dos constrangimentos que impendem sobre a actividade dos TUB, seja ao nível dos condicionalismos urbanísticos da cidade, da falta de apoios financeiros públicos ou das limitações legais ao desenvolvimento da sua actividade.
Aqui, cumpre lembrar porém que os TUB não são uma estrutura cuja direcção seja autónoma da gestão municipal. O actual Presidente dos TUB foi Vereador da maioria socialista no anterior mandato e o anterior Presidente dos TUB, Vítor Sousa, já tinha sido Vereador e é agora o Vice-Presidente da Câmara. Tudo dentro da lógica de rotatividade dos quadros políticos do PS que tem marcado a actual governação municipal e que muito tem prejudicado a qualidade da gestão das empresas.
Mas, para o que releva neste contexto, serve isto para lembrar que quem está num e outro cargo tem consciência dos problemas que as opções políticas e as más práticas da acção autárquica acarretou(a) sobre a qualidade do serviço dos TUB, sem que incorpore essa preocupação no desempenho das suas funções.
O segundo aspecto reporta-se à falta de referências à estratégia comercial dos TUB (que não na vertente da “formatação do serviço” que resultará da premente reestruturação da rede) e que nós consideramos a principal falha da gestão actual. Como é que é possível que, mesmo num contexto de recessão económica grave, os TUB continuem a registar perdas de clientes de ano para ano?
Finalmente, creio que se abordou excessivamente projectos prementes de investimentos de cariz supra-municipal cuja concretização dificilmente cairá sob a esfera de acção dos TUB, cabendo preferencialmente a entidades metropolitanas.


2.
BA - Creio ter dito há tempos que o actual Presidente da Câmara podia ter sido o Marquês de Pombal de Braga. Como caracteriza os mais de 30 anos de Mesquita Machado à frente da autarquia? E se tivesse sido sua a oportunidade, o que teria feito de diferente?

RR - A ideia na base dessa expressão é muito clara: tal como o Marquês de Pombal após o terramoto de 1755, Mesquita Machado pôde construir uma cidade de raiz, tal era a natureza rural de muitas das áreas que hoje constituem focos de densíssima urbanização.
O resultado actual expressa as opções tomadas ao longo destas três décadas e a forma desenfreada e quase selvagem como se registou o crescimento da cidade, sem ordem, sem regra e, infelizmente, em muitos casos, sem real qualidade de vida.
Para lá de outras opções da gestão municipal que são muito discutíveis e que ainda hoje são pertinentes (já as abordarei na resposta a algumas das questões subsequentes), a questão urbanística e as que lhe são contíguas – a política de gestão dos espaços verdes, a política de trânsito e transportes, a política de renovação urbana ou de preservação do património, etc. - são uma área que merece a nossa clara demarcação do que foi feito e em que teríamos seguido um caminho seguramente distinto.


3.
BA - Em termos urbanísticos, acha que ainda vamos a tempo de poder ter uma cidade mais ordenada? Acha que a cidade poderá crescer ainda e se sim, que orientação defende?

RR - Milagres não se podem fazer, mas há várias iniciativas que podem ser desenvolvidas e que devem merecer uma ampla discussão pública e o envolvimento de toda a comunidade. Não é por acaso, aliás, que tantas vezes defendemos o recurso a concursos de ideias para suportar os projectos de intervenção em diferentes espaços municipais: o Campo da Vinha, o Parque da Ponte, o Monte Picoto, etc..
Há, a meu ver, algumas medidas que devem ser encetadas ao longo dos próximos anos e que vão dar resposta a problemas que hoje já são visíveis e a outros a que a degradação causada pelo tempo tenderá a conferir importância.
Tal como já constava no meu programa eleitoral de 2005, creio caberem nesta área as apostas na recuperação do património edificado, nomeadamente para instalação de valências culturais e sociais de usufruto público; o apoio à renovação dos prédios mais degradados do centro histórico, através de iniciativas como a criação do Fundo de Investimento Imobiliário para a Renovação Urbana; e algumas acções dirigidas a áreas específicas, como sejam a malha urbana, as urbanizações já existentes e os novos projectos de urbanização na periferia.
A título de exemplo, relativamente às urbanizações existentes defendemos a implementação de um conjunto de linhas de acção que permitam reabilitar as estruturas e os espaços disponíveis, apostando na prossecução de projectos arrojados ao nível de arquitectura paisagística relativos aos espaços públicos circundantes, tais como pequenos jardins, praças, alamedas e vários logradouros e privilegiando a requalificação e valorização de pequenos equipamentos aí instalados, como sejam parques infantis, equipamentos desportivos (ringues e parques radicais), esplanadas, pequenos lagos ou espelhos de água, fontes e chafarizes, entre outros.
Por paradoxal que possa parecer, eu defendo que Braga deve continuar a crescer tendo como referência o objectivo de atingir uma população-alvo de aproximadamente 250.000 habitantes. Mas isso não deve ser feito à toa e sem sentido estratégico.
O que Braga necessita é de atrair e fixar recursos qualificados, ligados à Universidade, ao INL, à dinamização económica em geral do Concelho.
Ora, isso só se consegue com a promoção de uma verdadeira política sustentável de qualidade de vida, com espaços de lazer, com animação cultural, com ordenamento urbanístico, com educação de qualidade, com segurança, com dinamismo económico.


4.
BA - O Hospital vai sair do centro da cidade, aquela zona deixará de ser muito movimentada, chegando-se a falar que o centro vai perder o movimento diário de 10 mil pessoas. Que medidas pensa que seriam necessárias naquela zona para atenuar esse efeito?

RR - A definição das possíveis medidas tem que assentar num conhecimento mais profundo e rigoroso dessa realidade e, não o podemos esquecer, dependerá também do destino que a Misericórdia entenda dar ao actual edifício do Hospital de Braga.
Há mais de um ano, defendi no Executivo Municipal que devia ser feito um estudo prospectivo desse tipo de impactos, em linha com os alertas que, entre outros, foram sendo deixados pela Associação Comercial de Braga.
A verdade é que, até hoje, nada se fez nessa matéria, com a Câmara de Braga a preparar-se, como também é seu apanágio, para actuar apenas quando a realidade lhe “cair em cima”.
De uma forma abstracta, entendo que a manutenção da vitalidade destes espaços requer a preservação de um núcleo de serviços públicos desconcentrados relevante ou reais focos de atracção de natureza económica, comercial ou cultural.
Assim, ou a Câmara instala ou assegura junto do poder central a instalação desses Serviços, ou fomenta junto da iniciativa privada, a localização de determinados projectos nesses espaços.


5.
BA - A política da CMB tem sido a expansão da cidade para Norte, contudo não têm sido feitas novas vias rodoviárias de cariz citadino, tendo o urbanismo desenvolvido apenas por nódulos descontínuos fruto da pressão imobiliária. Acha possível a criação de uma rede rodoviária de cariz citadino, que integrem toda esta área na malha urbana, em vez de se tornar numa zona de cariz peri-urbano servida apenas pelas Variantes do Cávado e Variante às EN-101/201? Face à revisão do PDM que alterações sugeria para esta zona da cidade?

RR - De uma forma muito directa, a resposta à primeira pergunta é que “sim”, acho que é possível fazer diferente, que a expansão das cidades é acima de tudo uma questão de cultura urbana, com toda a riqueza e toda a complexidade que ela implica, não sendo uma questão que se possa reduzir ao traçado de uma rede viária que “sirva” ou “suporte” loteamentos avulsos.
Recentemente, discutia essas mesmas questões com alguns arquitectos amigos e, em termos que tecnicamente eu não conseguiria expressar mas que na prática vão ao encontro da minha visão de uma cidade moderna, sugeriam que as expansões das cidades devem relacionar-se com os núcleos existentes através de uma estratégia de “desenho dos espaços públicos”, que inclua espaços de fruição e de convívio (que podem ser largos, praças e jardins, por exemplo), bem como espaços que propiciem a circulação de pessoas e veículos (que podem ser ruas, avenidas, ou mesmo, em situações excepcionais, vias rápidas).
Ora, estes novos espaços públicos devem dar continuidade ou remate aos espaços da cidade existente, sendo que um deles usou mesmo a metáfora de que “é preciso coser o tecido urbano”, ou assegurar o “urban fabric” da terminologia anglo-saxónica.
A Norte de Braga, o “tecido” está claramente “por coser”, sendo que tal realidade contribui até para fenómenos de separação urbana, em que as diferenças de localização da habitação correspondem até a dicotomias culturais e económicas.
Combater estes fenómenos é também promover a coesão social do Concelho.
Um exemplo menos positivo é a VCI do Porto, que é uma grande auto-estrada que corta e rompe a cidade, em vez de um “boulevard” que une e liga partes autónomas ou mesmo divorciadas.
Na sequência destas considerações, o PDM deve prever a promoção deste trabalho de planeamento estratégico, que implique o estudo profundo e o empenho de uma equipa multidisciplinar, onde se incluam, entre outros, arquitectos, paisagistas e engenheiros.


6.
BA - Na campanha para as últimas eleições municipais, foi sua promessa fazer de Braga a Capital Verde da Europa até 2013. Como esperava consegui-lo? Não acha que o número de parques que proporia para a cidade exigiriam um esforço financeiro ao município que este não conseguiria suportar?

RR - Como já referi, a falta de zonas verdes é um dos problemas estruturais da nossa cidade, sendo bem patente na forma como as parcelas reservadas a este tipo de espaços nas diferentes urbanizações se encontram frequentemente ao abandono, transformadas em silvados ou depósitos de lixo que atentam contra a própria saúde pública.
Ainda recentemente, o Professor Raúl Rodrigues publicava um artigo notável na coluna Entre Aspas do Diário do Minho – “Se o asfalto e o betão embrutecem, a árvore humaniza” – em que dava conta da clara insuficiência que Braga revela neste domínio.
Dizia então: “Para Portugal, a Direcção Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano (DGOTDU) recomenda para zonas urbanas, 40 m2 de área verde/habitante. Um estudo realizado na Universidade do Minho no âmbito de uma tese de mestrado em Engenharia Municipal (área de especialização em planeamento urbanístico) refere que no Concelho de Braga, existem à volta de “12 m² de espaços verdes públicos por habitante. Este valor é ainda muito mais baixo na zona urbana, o que o torna manifestamente preocupante e insuficiente para uma cidade como a que Braga perspectiva ser.”
Quanto à questão financeira, basta recordar que já depois dessa minha proposta a Câmara de Braga criou uma Parceria Público-Privada para um valor de referência de mais de 60 milhões de Euros, muitos dos quais seriam (se ainda não foram) despendidos em “relvinha que não cresce”, na expressão com que um artigo da autoria de Alexandra Prata rotulava os campos sintéticos de futebol.


7.
BA - Sabe quando foi alterado o PDM da zona das Sete Fontes (em classificação desde 1999), que passou a dar toda a área como urbanizável, grande parte da mesma de nível máximo? Essa alteração foi simultânea com a reserva dos terrenos para o Novo Hospital e a não contemplação do Espaço Canal? E não tendo a EP desviado o traçado da Variante à EN e de ligação ao Hospital, pretendendo a CMB avançar com a mesma até à ligação com a EN e Variante do Fojo, entende que existe alguma possibilidade desse traçado não invadir a zona de protecção das Sete Fontes?

RR - Sobre essa matéria, já disse que nos devemos concentrar no futuro mais do que olhar para o caminho que nos trouxe até aqui, sendo que escrutinar o passado é, neste caso, matéria para a polícia ou para historiadores e nem uma nem outra hipótese mudará aquilo que hoje se nos depara.
Sobre as Sete Fontes, creio serem quatro as prioridades próximas (que, nalguns casos, não são sequer questões recentes): em primeiro lugar, exigir a publicação em Diário da República da respectiva ZEP até ao próximo dia 31 de Dezembro, de forma a tornar o processo de classificação como Monumento Nacional irreversível; em segundo lugar, avançar com o esboço do Parque Eco-Monumental – uma ampla zona verde e de lazer, de preservação monumental do complexo aquífero e patrimonial, de fruição pública e com valências que potenciem a atractividade turística; em paralelo, negociar com os proprietários privados a permuta dos terrenos necessários, vedar o arranque de novos projectos na zona de protecção e exigir do Ministério da Cultura a devida comparticipação num eventual esforço indemnizatório ou em processos de expropriação; finalmente, estudar traçados alternativos para a ligação à Variante do Fojo que evitem ou minimizem a invasão da zona de protecção das Sete Fontes.
Este é um projecto com uma dimensão ambiental e com uma dimensão patrimonial mas, sobretudo, com uma faceta de afirmação e protecção da nossa História e da nossa identidade colectiva, que me parecia bastante mais prioritário que uma intervenção no Monte Picoto.


8.
BA - Qual a sua opinião em relação ao facto de uma cidade com tanto património cultural e tanto potencial estar praticamente estagnada e pouco ter avançado nos últimos anos? Encontra razões para ao longo de 30 anos nunca se ter feito nada de realmente ambicioso nesta área? Que projectos e que ideias tem em mente?
E qual é a sua posição em relação à candidatura do complexo Bom Jesus e o centro histórico a património mundial?

RR - Acho que nesse como em outros aspectos, há que realçar a conjugação de dois factores para justificar essa evolução: a clara falta de interesse da maioria socialista do Executivo Municipal e, em particular, do seu Presidente e, não menos importante, a total passividade da Sociedade Bracarense na defesa do que é de todos, de hoje e das gerações vindouras.
Pode ser tomado como despeito mas é uma verdade incontestável: Braga tem o que quer ter. Quando Mesquita Machado repete vezes sem conta que as opções e os actos da Câmara Municipal e da maioria socialista são sucessivamente validados e legitimados pela maioria dos eleitores não há forma de afirmar o contrário por mais que os seus votantes representem pouco mais de 1/3 do universo de eleitores.
Já antes aludi à nossa intenção de recuperar certos edifícios públicos e posso acrescentar a abordagem seguramente mais proactiva na preservação de vários outros valores patrimoniais do Concelho, com especial destaque para o legado Romano.
Aliás, acho que, mais uma vez, Braga voltou a perder com o total entorpecimento da Autarquia e com a falta de atenção votada a estas áreas. Nos contactos que encetei com a UNESCO foi-me transmitido que “o Grupo de Trabalho Interministerial para a Coordenação e Acompanhamento das Candidaturas de Bens Portugueses à Lista do Património Mundial analisou as intenções de candidaturas que nesse momento eram do conhecimento da Comissão, mas debruçou-se sobre a generalidade dos bens culturais e naturais que se afiguravam susceptíveis de vir a constituir uma candidatura e fez a sua selecção”, a qual aliás pode ser consultada aqui (http://whc.unesco.org/en/tentativelists/state=pt). Nem o Bom Jesus, nem o Centro Histórico (Sé de Braga incluída) foram contemplados, nem poderão ser nos próximos anos, face às restrições em vigor a para a classificação de mais bens na Europa.

RR - Aproveito para desejar a toda a equipa do Bracarae-Avgvste e aos seus leitores, um muito Feliz Natal, na companhia das vossas famílias e amigos.
Da nossa parte, continuamos a fazer o possível para que em Braga seja mesmo Natal… todos os dias do ano.




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INFORMAÇÃO: A transcrição/cópia/impressão desta entrevista deve ser precedida de um pedido de autorização a um dos membros da equipa do fórum, e deverá ser sempre acompanhada da fonte e do link http://www.forum.bracarae-avgvste.com

2ª parte da entrevista já disponível aqui: viewtopic.php?f=2&t=2527
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor DoctorDre » sexta dez 24, 2010 12:11 pm

:bravo:

Esta muito boa. Fico a ansear pela 2ª parte!

Gosto especialmente de:
Recentemente, discutia essas mesmas questões com alguns arquitectos amigos e, em termos que tecnicamente eu não conseguiria expressar mas que na prática vão ao encontro da minha visão de uma cidade moderna, sugeriam que as expansões das cidades devem relacionar-se com os núcleos existentes através de uma estratégia de “desenho dos espaços públicos”, que inclua espaços de fruição e de convívio (que podem ser largos, praças e jardins, por exemplo), bem como espaços que propiciem a circulação de pessoas e veículos (que podem ser ruas, avenidas, ou mesmo, em situações excepcionais, vias rápidas).
Ora, estes novos espaços públicos devem dar continuidade ou remate aos espaços da cidade existente, sendo que um deles usou mesmo a metáfora de que “é preciso coser o tecido urbano”, ou assegurar o “urban fabric” da terminologia anglo-saxónica.
A Norte de Braga, o “tecido” está claramente “por coser”, sendo que tal realidade contribui até para fenómenos de separação urbana, em que as diferenças de localização da habitação correspondem até a dicotomias culturais e económicas.
Combater estes fenómenos é também promover a coesão social do Concelho.
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor Duarte » sexta dez 24, 2010 1:01 pm

A entrevista ficou excelente e tenho a certeza que a segunda parte ainda vai ser melhor!

É como ele diz, no tempo das vacas gordas o MM tinha o pão e o queijo na mão tendo a oportunidade (única) e o privilégio de fazer uma cidade à maneira que quisesse.. Infelizmente (para nós) essa não foi a melhor.
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor El Salvador » sexta dez 24, 2010 3:21 pm

Um bom Natal para toda a malta do BA e extensivo ao Dr. Ricardo Rio e família.
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor DoctorDre » quarta dez 29, 2010 6:56 pm

Comentários à entrevista, não há?
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor bsana » quinta dez 30, 2010 1:48 pm

Apesar de eu ser de Vila Verde, este senhor já devia ser presidente à muito na minha opinião..
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor raul rodrigues » domingo jan 02, 2011 11:52 am

Em Braga nunca houve uma verdadeira cultura ligada ao ordenamento do trerritório em geral e ao ambiente e espaços verdes. Os políticos que estão no poder sao ignorantes, arrogantes e não gostam de ser desautorizados por quem sabe. Estão habituados à pacatez e cumplicidade do zé povinho que lhes garante o votos nas eleições: laissez-faire, laisse-faire- é este o lema do bracarense típico(e ignorante), que os governantes tanto apreciamm e batem palmas por estarem calados.
Falta aos bracarenses o sentido da cidadania, serem mais interventivos, não terem medo de represálias. Esta é a unica forma de pôr cobro à situação calamitosa que se vive em Braga no domínio do oredenamento do território, espaços verdes, cultura, etc etc.
Chegou a hora dos cidadãos de assumirem e exigirem mais destes plíticos cegos, surdos de mudos (dos quais não se conhece uma unica referência profissional) e, como tal, mais permeáveis ao circulo vicioso da corrupção.
Para mudar as políticas, temos que mudar os políticos e não apostar em sucessões dinásticas, como as que se verificam na Assembleia Municipal de -Braga, onde os aplidos Mesquita Machado, Pires, sousa, Serapicos, Ribeiro, etc, etc, etc abundam entre os membros eleitos.
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor DoctorDre » sábado jan 08, 2011 11:38 am

Creio que isso acontece muito devido à falta de cultura que até hoje se evidencia... Braga até pelo menos aos anos 80 foi conotada como cidade de produção fabril. Emprego qualificado havia pouco. A partir do momento em que foi instalada a universidade este estigma tinha de mudar, mas infelizmente não foi assim e muito por causa da imigração de população de meios rurais, a qual simplesmente se adaptou à cidade que estava a ser construída em vez de discutir e lutar pelo que não estava a ser feito ou pelo que estava a ser muito mal feito...

É uma visão simplória...
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor karlussantus » sábado jan 15, 2011 6:23 pm

andre_carneiro Escreveu:Aqui está o resultado de parte da entrevista feita ao Dr. Ricardo Rio no seguimento da iniciativa "Perguntas a...". Sendo que a totalidade da entrevista é bastante extensa dividimo-la em duas partes.

Queremos aproveitar para agradecer publicamente ao Sr. Dr. Ricardo Rio pela sua inteira disponibilidade e prontidão para responder às questões colocadas pelos utilizadores do BA.

Fiquem com a entrevista e devorem-na que brevemente virá a outra parte e futuramente novas personalidades serão alvo das nossas questões!

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1.
BRACARAE AVGVSTE - O Dr. Rio leu a entrevista do Dr. Artur Silva (viewtopic.php?f=2&t=2428 )? Que comentário gostaria de tecer?

RICARDO RIO - Como leitor regular do Fórum, já tinha tido oportunidade de ler a entrevista do Dr. Artur Silva que, de uma forma geral, me parece bastante equilibrada.
Há três aspectos, porém, que me merecem especial realce.
O primeiro prende-se com a evidência dos constrangimentos que impendem sobre a actividade dos TUB, seja ao nível dos condicionalismos urbanísticos da cidade, da falta de apoios financeiros públicos ou das limitações legais ao desenvolvimento da sua actividade.
Aqui, cumpre lembrar porém que os TUB não são uma estrutura cuja direcção seja autónoma da gestão municipal. O actual Presidente dos TUB foi Vereador da maioria socialista no anterior mandato e o anterior Presidente dos TUB, Vítor Sousa, já tinha sido Vereador e é agora o Vice-Presidente da Câmara. Tudo dentro da lógica de rotatividade dos quadros políticos do PS que tem marcado a actual governação municipal e que muito tem prejudicado a qualidade da gestão das empresas.
Mas, para o que releva neste contexto, serve isto para lembrar que quem está num e outro cargo tem consciência dos problemas que as opções políticas e as más práticas da acção autárquica acarretou(a) sobre a qualidade do serviço dos TUB, sem que incorpore essa preocupação no desempenho das suas funções.
O segundo aspecto reporta-se à falta de referências à estratégia comercial dos TUB (que não na vertente da “formatação do serviço” que resultará da premente reestruturação da rede) e que nós consideramos a principal falha da gestão actual. Como é que é possível que, mesmo num contexto de recessão económica grave, os TUB continuem a registar perdas de clientes de ano para ano?
Finalmente, creio que se abordou excessivamente projectos prementes de investimentos de cariz supra-municipal cuja concretização dificilmente cairá sob a esfera de acção dos TUB, cabendo preferencialmente a entidades metropolitanas.


Penso que apenas apontou o dedo, e bem, à forma como a gestão destas empresas faz parte de um sistema "duvidoso" de rotatividade entre cargos na CMB e nas empresas...

2.
BA - Creio ter dito há tempos que o actual Presidente da Câmara podia ter sido o Marquês de Pombal de Braga. Como caracteriza os mais de 30 anos de Mesquita Machado à frente da autarquia? E se tivesse sido sua a oportunidade, o que teria feito de diferente?

RR - A ideia na base dessa expressão é muito clara: tal como o Marquês de Pombal após o terramoto de 1755, Mesquita Machado pôde construir uma cidade de raiz, tal era a natureza rural de muitas das áreas que hoje constituem focos de densíssima urbanização.
O resultado actual expressa as opções tomadas ao longo destas três décadas e a forma desenfreada e quase selvagem como se registou o crescimento da cidade, sem ordem, sem regra e, infelizmente, em muitos casos, sem real qualidade de vida.
Para lá de outras opções da gestão municipal que são muito discutíveis e que ainda hoje são pertinentes (já as abordarei na resposta a algumas das questões subsequentes), a questão urbanística e as que lhe são contíguas – a política de gestão dos espaços verdes, a política de trânsito e transportes, a política de renovação urbana ou de preservação do património, etc. - são uma área que merece a nossa clara demarcação do que foi feito e em que teríamos seguido um caminho seguramente distinto.


Resposta genérica sem dados ou números, nem exemplos concretos de zonas que pelo mesmo dinheiro investido pela CMB e privados, poderiam ter sido construídos de forma diferente.

[
b]3.
BA - Em termos urbanísticos, acha que ainda vamos a tempo de poder ter uma cidade mais ordenada? Acha que a cidade poderá crescer ainda e se sim, que orientação defende?[/b]
RR - Milagres não se podem fazer, mas há várias iniciativas que podem ser desenvolvidas e que devem merecer uma ampla discussão pública e o envolvimento de toda a comunidade. Não é por acaso, aliás, que tantas vezes defendemos o recurso a concursos de ideias para suportar os projectos de intervenção em diferentes espaços municipais: o Campo da Vinha, o Parque da Ponte, o Monte Picoto, etc..
Há, a meu ver, algumas medidas que devem ser encetadas ao longo dos próximos anos e que vão dar resposta a problemas que hoje já são visíveis e a outros a que a degradação causada pelo tempo tenderá a conferir importância.
Tal como já constava no meu programa eleitoral de 2005, creio caberem nesta área as apostas na recuperação do património edificado, nomeadamente para instalação de valências culturais e sociais de usufruto público; o apoio à renovação dos prédios mais degradados do centro histórico, através de iniciativas como a criação do Fundo de Investimento Imobiliário para a Renovação Urbana; e algumas acções dirigidas a áreas específicas, como sejam a malha urbana, as urbanizações já existentes e os novos projectos de urbanização na periferia.
A título de exemplo, relativamente às urbanizações existentes defendemos a implementação de um conjunto de linhas de acção que permitam reabilitar as estruturas e os espaços disponíveis, apostando na prossecução de projectos arrojados ao nível de arquitectura paisagística relativos aos espaços públicos circundantes, tais como pequenos jardins, praças, alamedas e vários logradouros e privilegiando a requalificação e valorização de pequenos equipamentos aí instalados, como sejam parques infantis, equipamentos desportivos (ringues e parques radicais), esplanadas, pequenos lagos ou espelhos de água, fontes e chafarizes, entre outros.
Por paradoxal que possa parecer, eu defendo que Braga deve continuar a crescer tendo como referência o objectivo de atingir uma população-alvo de aproximadamente 250.000 habitantes. Mas isso não deve ser feito à toa e sem sentido estratégico.
O que Braga necessita é de atrair e fixar recursos qualificados, ligados à Universidade, ao INL, à dinamização económica em geral do Concelho.
Ora, isso só se consegue com a promoção de uma verdadeira política sustentável de qualidade de vida, com espaços de lazer, com animação cultural, com ordenamento urbanístico, com educação de qualidade, com segurança, com dinamismo económico.


Defende o recurso a concursos de ideias, plenamente de acordo, foi uma das passagens mais concretas das respostas de RR.
Defende a criação do "Fundo de Investimento Imobiliário para a Renovação Urbana", e uma série de projectos para recuperação do centro histórico, resta saber se com os constrangimentos financeiros seria possível uma verdadeira recuperação do centro. Mas como é óbvio uma iniciativa de louvar.
Defende a valorização dos espaços públicos em torno das urbanizações, mais uma iniciativa de louvar, mas que esbarra no gasto de mais fundos.
Defende o crescimento através da qualidade de vida, e da fixação de uma população ligada à UM e INL. A criação de incubadoras de empresa e parques tecnológicos, tem sido um dos enormes problemas de Braga, com estas a fixarem-se por exemplo no AvePark, etc... Mais uma vez esbarra no gasto de fundos.

Nesta resposta foram abordados várias acções que todos defendemos, mas onde é que se ia buscar o dinheiro para fazer isto? Onde é que a actual CMB gastou e que não passaria a gastar, para gastar nisto?
Penso que tinha que existir uma cooperação com privados, e com o Governo e a aplicação dos fundos comunitários (altamente deficitária no Cávado em favor do Porto), para estes projectos saírem do papel e das intenções.

Isso passaria por uma voz política em defesa de Braga e da região, que duvido que apareça num curto espaço, até porque Ricardo Rio nunca o fez, pode ser por estratégia, mas tenho as minhas dúvidas.

4.
BA - O Hospital vai sair do centro da cidade, aquela zona deixará de ser muito movimentada, chegando-se a falar que o centro vai perder o movimento diário de 10 mil pessoas. Que medidas pensa que seriam necessárias naquela zona para atenuar esse efeito?

RR - A definição das possíveis medidas tem que assentar num conhecimento mais profundo e rigoroso dessa realidade e, não o podemos esquecer, dependerá também do destino que a Misericórdia entenda dar ao actual edifício do Hospital de Braga.
Há mais de um ano, defendi no Executivo Municipal que devia ser feito um estudo prospectivo desse tipo de impactos, em linha com os alertas que, entre outros, foram sendo deixados pela Associação Comercial de Braga.
A verdade é que, até hoje, nada se fez nessa matéria, com a Câmara de Braga a preparar-se, como também é seu apanágio, para actuar apenas quando a realidade lhe “cair em cima”.
De uma forma abstracta, entendo que a manutenção da vitalidade destes espaços requer a preservação de um núcleo de serviços públicos desconcentrados relevante ou reais focos de atracção de natureza económica, comercial ou cultural.
Assim, ou a Câmara instala ou assegura junto do poder central a instalação desses Serviços, ou fomenta junto da iniciativa privada, a localização de determinados projectos nesses espaços.


Apontou e bem o dedo à falta de estudos por parte da CMB... De uma forma geral definiu uma linha de acção para colmatar a perda.

[
b]5.
BA - A política da CMB tem sido a expansão da cidade para Norte, contudo não têm sido feitas novas vias rodoviárias de cariz citadino, tendo o urbanismo desenvolvido apenas por nódulos descontínuos fruto da pressão imobiliária. Acha possível a criação de uma rede rodoviária de cariz citadino, que integrem toda esta área na malha urbana, em vez de se tornar numa zona de cariz peri-urbano servida apenas pelas Variantes do Cávado e Variante às EN-101/201? Face à revisão do PDM que alterações sugeria para esta zona da cidade?[/b]
RR - De uma forma muito directa, a resposta à primeira pergunta é que “sim”, acho que é possível fazer diferente, que a expansão das cidades é acima de tudo uma questão de cultura urbana, com toda a riqueza e toda a complexidade que ela implica, não sendo uma questão que se possa reduzir ao traçado de uma rede viária que “sirva” ou “suporte” loteamentos avulsos.
Recentemente, discutia essas mesmas questões com alguns arquitectos amigos e, em termos que tecnicamente eu não conseguiria expressar mas que na prática vão ao encontro da minha visão de uma cidade moderna, sugeriam que as expansões das cidades devem relacionar-se com os núcleos existentes através de uma estratégia de “desenho dos espaços públicos”, que inclua espaços de fruição e de convívio (que podem ser largos, praças e jardins, por exemplo), bem como espaços que propiciem a circulação de pessoas e veículos (que podem ser ruas, avenidas, ou mesmo, em situações excepcionais, vias rápidas).
Ora, estes novos espaços públicos devem dar continuidade ou remate aos espaços da cidade existente, sendo que um deles usou mesmo a metáfora de que “é preciso coser o tecido urbano”, ou assegurar o “urban fabric” da terminologia anglo-saxónica.
A Norte de Braga, o “tecido” está claramente “por coser”, sendo que tal realidade contribui até para fenómenos de separação urbana, em que as diferenças de localização da habitação correspondem até a dicotomias culturais e económicas.
Combater estes fenómenos é também promover a coesão social do Concelho.
Um exemplo menos positivo é a VCI do Porto, que é uma grande auto-estrada que corta e rompe a cidade, em vez de um “boulevard” que une e liga partes autónomas ou mesmo divorciadas.
Na sequência destas considerações, o PDM deve prever a promoção deste trabalho de planeamento estratégico, que implique o estudo profundo e o empenho de uma equipa multidisciplinar, onde se incluam, entre outros, arquitectos, paisagistas e engenheiros.


Uma resposta extremamente vaga, sem qualquer proposta concreta. Mais uma vez tem que ser com a união entre os interesses privados, estudos e desenhos prévios da CMB, e com a "bonificação" através de por exemplo aumentos de volumetrias, que se podem desenhar urbanizações, em continuidade com o resto do tecido urbano, em vez de cada promotora imobiliária se importar apenas com a melhor urbanização possível para os seus terrenos.
Acho que foi uma resposta muito genérica...

6.
BA - Na campanha para as últimas eleições municipais, foi sua promessa fazer de Braga a Capital Verde da Europa até 2013. Como esperava consegui-lo? Não acha que o número de parques que proporia para a cidade exigiriam um esforço financeiro ao município que este não conseguiria suportar?

RR - Como já referi, a falta de zonas verdes é um dos problemas estruturais da nossa cidade, sendo bem patente na forma como as parcelas reservadas a este tipo de espaços nas diferentes urbanizações se encontram frequentemente ao abandono, transformadas em silvados ou depósitos de lixo que atentam contra a própria saúde pública.
Ainda recentemente, o Professor Raúl Rodrigues publicava um artigo notável na coluna Entre Aspas do Diário do Minho – “Se o asfalto e o betão embrutecem, a árvore humaniza” – em que dava conta da clara insuficiência que Braga revela neste domínio.
Dizia então: “Para Portugal, a Direcção Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano (DGOTDU) recomenda para zonas urbanas, 40 m2 de área verde/habitante. Um estudo realizado na Universidade do Minho no âmbito de uma tese de mestrado em Engenharia Municipal (área de especialização em planeamento urbanístico) refere que no Concelho de Braga, existem à volta de “12 m² de espaços verdes públicos por habitante. Este valor é ainda muito mais baixo na zona urbana, o que o torna manifestamente preocupante e insuficiente para uma cidade como a que Braga perspectiva ser.”
Quanto à questão financeira, basta recordar que já depois dessa minha proposta a Câmara de Braga criou uma Parceria Público-Privada para um valor de referência de mais de 60 milhões de Euros, muitos dos quais seriam (se ainda não foram) despendidos em “relvinha que não cresce”, na expressão com que um artigo da autoria de Alexandra Prata rotulava os campos sintéticos de futebol.


Afastando um pouco da ausência de parques urbanos e da desorganização da nossa cidade, penso que há um grave problema em Portugal, trata-se cada prédio e cada urbanização como algo independente, o caminho passa por fazer grandes planos de pormenor, com várias urbanizações, pois de que interessa ter mini jardins em torno de um prédio? Custos para o condomínio e normalmente são de gosto duvidoso, em contraste com o prédio vizinho, e apenas uma imposição de uma lei que não resulta.

Com isto quero dizer que em meio citadino, é preferível uma Avenida da Liberdade sem qualquer espaço verde, toda ela continua e com bons passeios, e boas faixas de rodagem, que culmine num Parque da Ponte, do que ter uma Avenida Padre Julio Fragata, com vários mini jardins, que não têm qualquer usufruto para a população geral.

É frequente ver em cidades europeias, quarteirões enormes, sem qualquer espaço verde na frente virada para a avenida, e com todos os prédios com a mesma volumetria e em continuidade, e depois no interior dos quarteirões um amplo espaço verde com zonas de diversões para as crianças e população. Consegue-se uma sensação de tecido urbano coeso muito melhor, com uma mobilidade muito superior, com arruamentos rectos e contínuos, em vez de prédios com mini-jardins desconexos e sem qualquer coesão urbana com muito maior quantidade de pequenos arruamentos menos funcionais...

7.
BA - Sabe quando foi alterado o PDM da zona das Sete Fontes (em classificação desde 1999), que passou a dar toda a área como urbanizável, grande parte da mesma de nível máximo? Essa alteração foi simultânea com a reserva dos terrenos para o Novo Hospital e a não contemplação do Espaço Canal? E não tendo a EP desviado o traçado da Variante à EN e de ligação ao Hospital, pretendendo a CMB avançar com a mesma até à ligação com a EN e Variante do Fojo, entende que existe alguma possibilidade desse traçado não invadir a zona de protecção das Sete Fontes?

RR - Sobre essa matéria, já disse que nos devemos concentrar no futuro mais do que olhar para o caminho que nos trouxe até aqui, sendo que escrutinar o passado é, neste caso, matéria para a polícia ou para historiadores e nem uma nem outra hipótese mudará aquilo que hoje se nos depara.
Sobre as Sete Fontes, creio serem quatro as prioridades próximas (que, nalguns casos, não são sequer questões recentes): em primeiro lugar, exigir a publicação em Diário da República da respectiva ZEP até ao próximo dia 31 de Dezembro, de forma a tornar o processo de classificação como Monumento Nacional irreversível; em segundo lugar, avançar com o esboço do Parque Eco-Monumental – uma ampla zona verde e de lazer, de preservação monumental do complexo aquífero e patrimonial, de fruição pública e com valências que potenciem a atractividade turística; em paralelo, negociar com os proprietários privados a permuta dos terrenos necessários, vedar o arranque de novos projectos na zona de protecção e exigir do Ministério da Cultura a devida comparticipação num eventual esforço indemnizatório ou em processos de expropriação; finalmente, estudar traçados alternativos para a ligação à Variante do Fojo que evitem ou minimizem a invasão da zona de protecção das Sete Fontes.
Este é um projecto com uma dimensão ambiental e com uma dimensão patrimonial mas, sobretudo, com uma faceta de afirmação e protecção da nossa História e da nossa identidade colectiva, que me parecia bastante mais prioritário que uma intervenção no Monte Picoto.


Aqui Ricardo Rio tem uma das piores respostas da entrevista, primeiro não aponta o dedo ao passado da CMB neste processo. Só conhecendo o passado podemos saber de onde viemos e para onde vamos.
E é com base na denuncia desse passado, que notícias como esta, teriam outro impacto e lógica.
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Quanto à exigência da publicação da ZEP, que iniciativas tomou o PSD, local e nacional? Que iniciativas teve Ricardo Rio?

Acaba bem a resposta, ao falar de forma concreta como se podia preservar a ZEP, através de permutas e exigindo a colaboração do Ministério da Cultura. Compara ainda e bem a importância das Sete Fontes com o Picoto, dando a entender que investiria 1º nas Sete Fontes e só depois no Picoto.

8.
BA - Qual a sua opinião em relação ao facto de uma cidade com tanto património cultural e tanto potencial estar praticamente estagnada e pouco ter avançado nos últimos anos? Encontra razões para ao longo de 30 anos nunca se ter feito nada de realmente ambicioso nesta área? Que projectos e que ideias tem em mente?
E qual é a sua posição em relação à candidatura do complexo Bom Jesus e o centro histórico a património mundial?

RR - Acho que nesse como em outros aspectos, há que realçar a conjugação de dois factores para justificar essa evolução: a clara falta de interesse da maioria socialista do Executivo Municipal e, em particular, do seu Presidente e, não menos importante, a total passividade da Sociedade Bracarense na defesa do que é de todos, de hoje e das gerações vindouras.
Pode ser tomado como despeito mas é uma verdade incontestável: Braga tem o que quer ter. Quando Mesquita Machado repete vezes sem conta que as opções e os actos da Câmara Municipal e da maioria socialista são sucessivamente validados e legitimados pela maioria dos eleitores não há forma de afirmar o contrário por mais que os seus votantes representem pouco mais de 1/3 do universo de eleitores.
Já antes aludi à nossa intenção de recuperar certos edifícios públicos e posso acrescentar a abordagem seguramente mais proactiva na preservação de vários outros valores patrimoniais do Concelho, com especial destaque para o legado Romano.
Aliás, acho que, mais uma vez, Braga voltou a perder com o total entorpecimento da Autarquia e com a falta de atenção votada a estas áreas. Nos contactos que encetei com a UNESCO foi-me transmitido que “o Grupo de Trabalho Interministerial para a Coordenação e Acompanhamento das Candidaturas de Bens Portugueses à Lista do Património Mundial analisou as intenções de candidaturas que nesse momento eram do conhecimento da Comissão, mas debruçou-se sobre a generalidade dos bens culturais e naturais que se afiguravam susceptíveis de vir a constituir uma candidatura e fez a sua selecção”, a qual aliás pode ser consultada aqui (http://whc.unesco.org/en/tentativelists/state=pt). Nem o Bom Jesus, nem o Centro Histórico (Sé de Braga incluída) foram contemplados, nem poderão ser nos próximos anos, face às restrições em vigor a para a classificação de mais bens na Europa.

RR - Aproveito para desejar a toda a equipa do Bracarae-Avgvste e aos seus leitores, um muito Feliz Natal, na companhia das vossas famílias e amigos.
Da nossa parte, continuamos a fazer o possível para que em Braga seja mesmo Natal… todos os dias do ano.



Uma boa resposta, Braga e a sua sociedade inculta e amorfa têm o que merecem.


P.S. Depois edito o texto, mas basicamente é este o meu comentário a esta 1ª parte. Quando vem a segunda parte?
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor DoctorDre » sábado jan 15, 2011 7:40 pm

karlussantus Escreveu:Quando vem a segunda parte?


O Dr. Ricardo Rio está a elaborar a 2ª parte! ;) Será para breve!
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor Domador » segunda jan 17, 2011 9:33 pm

Querem saber a minha opinião sincera, sincera?
O Mesquita é mau, mas o Ricardo Rio a mim também não me agrada! Venha o diabo e escolha, mas pelo menos que escolha uma mudança de ares, que neste caso só é possível com a mudança de cores políticas.
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor Brc20 » quinta jan 20, 2011 12:32 pm

A resposta 7 não me agradou muito, já a 8 é simplesmente lapidar: «Braga tem o que quer ter». Concordo bastante com o comentário do André Carneiro. Já o do Domador...Ricardo Rio teria sido facilmente mil vezes melhor presidente que MM!
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor DoctorDre » domingo jan 30, 2011 4:02 pm

Estejam atentos aos jornais da cidade amanhã ;)
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Re: Entrevista a Ricardo Rio - Parte I

Mensagempor DoctorDre » segunda jan 31, 2011 2:35 pm

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